Balanço e lições da final do PGA Championship e da sucessão de erros que criou o problema
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Jogadores querem que número 1 do mundo se explique à torcida antes de sua iminente volta ao circuito
por: Ricardo Fonseca
Tiger Woods deve deixar a clínica de reabilitação para viciados em sexo no final desta semana e já se especula que sua volta ao circuito é iminente, com as aposta variando entre o Accenture Match Play, de 17 a 21 de fevereiro, o CA Championship, de 11 a 14 de março, e o Arnold Palmer Invitational, de 25 a 28 de março (aposto na última). Mas qualquer que seja sua decisão, os profissionais de todo o mundo esperam que Tiger faça sua lição de casa, explicando-se ao público em coletivas à imprensa ou em programas de televisão, de forma a não levar o circo de sua vida particular para dentro dos campos.
O que os jogadores profissionais comentam entre si é que ninguém quer ver as coletivas de imprensa do PGA Tour invadidas por jornalistas de tablóides sensacionalistas e sites de celebridades. Sabem que isso seria um tumulto para o torneio e uma distração que atrapalharia a todos. Mas poucos tem coragem de dizer abertamente que Tiger tem que dar a cara para bater longe do circuito.
Problemas - O australiano Geoff Ogilvy foi o primeiro a ter coragem de falar em nome do grupo. "Ele tem que resolver seus problemas fora do campo de golfe", advertiu o número 12 do ranking mundial. “Eu acredito que o melhor para ele, para todos os demais jogadores e para os torneios é resolva isso com a imprensa e com a torcida e só depois volte a jogar", explica. "Não acredito que os patrocinadores e os organizadores desejem esse tipo de publicidade".
Woods não fala ou aparece em público desde o acidente de carro que escancarou sua privacidade, revelou ao mundo que ele tinha mais amantes do que títulos de majors e o obrigou a deixar o golfe "indefinidamente" para se tratar e tentar impedir que sua mulher pedisse o divórcio.
"A primeira coletiva de imprensa (de Tiger) vai ser uma coisa de louco, não vai? ", indaga Ogilvy, que venceu o primeiro torneio da temporada de 2010 do PGA Tour. "Uma monte de jornalistas que passou mais de dez anos com medo de perguntar algumas coisas para ele agora vai perguntar e ele vai ter que responder", antecipa.
Estatura moral - Ogilvy foi o primeiro a levantar a questão, mas não o único. Tom Watson, do alto dos seus 60 anos e oito títulos de majors, foi mais longe, dizendo que Tiger precisa "mostrar alguma humildade para o público", quando voltar a jogar. "Tiger tem que assumir o que ele fez, reconhecer publicamente os erros, deixar a sua vida pessoal em ordem e os problemas para trás", resume o vice-campeão do British Open de 2009.
Watson, porém, foi mais duro do que todos ao afirmar que Tiger Woods pode ser o melhor jogador de todos os tempos, mas está longe de ter "a mesma estatura moral dos outros grandes jogadores que vieram antes dele, como Ben Hogan, Byron Nelson, Arnold Palmer e Jack Nicklaus", alfineta. "Sua linguagem e a forma como arremessa os tacos no campo deixam muito a desejar", explica Watson.
"Talvez se possa entender esse tipo de atitude em um jovem que não tenha frequentado nosso meio desde pequeno", compara Watson. "Mas alguém com a sua importância tem que ter atos mais dignos e mostrar o respeito pelo jogo que outras pessoas antes dele demonstraram".
Humildade - Talvez Tiger ainda não tenha sido informado do que seus pares estão pensando no tempo em que ficou internado no Pine Grove, o centro de reabilitação do Mississippi onde um tratamento não sai por menos de US$ 40 mil. Mas seus companheiros de clínica sabem que ele ainda não aprendeu a lição.
As poucas notícias que vazaram desde a internação de Tiger mostram que humildade é uma palavra que ainda não existe em seu vocabulário. Pacientes ricos e importantes como ele eram retirados das dependências da clínica, antes de Tiger utilizá-las, obrigando a todos a mudar seus horários e rotinas.
Confissões - Sabe-se que parte do tratamento consistiu em seções em que Tiger confessava a Elin Nordegren, sua mulher, os detalhes de cada caso que teve - talvez daí o longo tempo de internação de Tiger que, descobriu-se, pulou a cerca com pelo menos 19 mulheres, a maioria delas prostitutas de luxo alcunhadas pela imprensa americana de "garçonetes".
Elin, talvez por ter ficado convencida de que o marido era doente, e não tarado, ou talvez pela fortuna que lhe foi oferecida para continuar casada, fez sua parte na terapia de Tiger e deve deixar a clínica com ele no final de semana, para um retiro juntos, onde tentariam dar prosseguimento ao casamento. Fala-se em uma oferta de US$ 500 milhões para ficar mais sete anos casada de faz-de-conta, tempo suficiente para Tiger bater os recordes que lhe faltam, disputar o golfe nos Jogos do Rio, em 2016, e se aposentar.
*O jornalista Ricardo Fonseca, colunista do site da FPG, é diretor de conteúdo do Portal Brasileiro do Golfe - www.golfe.esp.br - e editor chefe da revista Golf & Turismo